segunda-feira, 1 de agosto de 2016

São Paulo: dos Coríntios a mim

Depois de um fim de semana turbulento e cheio de crises existenciais por conta de questões ligadas principalmente ao trabalho, em paralelo com a vida, percebi a necessidade de intensificar as orações e de buscar as coisas do Alto, como a própria liturgia da Missa indicava. 

A partir das repercussões do fim de semana e da segunda, resolvi parar para ler a Bíblia e ver o que o Senhor teria para me dizer nesse dia. E o que seria uma simples passagem pela segunda carta de São Paulo aos Coríntios, acabou virando uma leitura quase inteira da carta, tamanha representatividade das palavras aplicadas à minha vida, enquanto jovem, cristão e projeto de missionário.
"Ele nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão em qualquer tribulação, através da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. [...] assim também é grande a nossa consolação por meio de Cristo. [...] pois sabemos que se vocês participam dos nossos sofrimentos, também participarão da nossa consolação. [...] a nossa confiança já não podia estar apoiada em nós, mas em Deus que ressuscita os mortos." (2 Cor 1, 4, 5c, 7b, 9b)
Sim, meu caro. Nosso sofrimento e nossas tribulações são consoláveis através de Deus, para que possamos sentir essa misericórdia. O sofrimento é necessário para nos edificar e fazer com que descubramos algo novo em nossas vidas, além de nos fortalecer. Fortalecer o nosso Espírito e nossa confiança em Deus, pois Ele nos consola da mesma forma. E por quê sofremos? Talvez pelo nosso excesso de expectativas em coisas terrenas e tão desnecessárias ao nosso viver? Por querermos as coisas da nossa maneira achando que será melhor assim? Assim São Paulo questiona a si próprio os seus planos sem deixar de perder a confiança e a certeza em Cristo.
"Será que meus planos foram inspirados por objetivos puramente humanos, de tal modo que em mim existe "sim e não" ao mesmo tempo? [...] Quem nos fortalece juntamente com vocês em Cristo e nos dá a unção é Deus." (2 Cor 1, 17b, 21)
E na sequência, São Paulo nos deixa uma palavra de esperança e fé.
"Deus nos marcou com um selo e colocou em nossos corações a garantia do Espírito." (2 Cor 1, 22)
O carinho e o amor de Deus se manifesta na forma mais simples e promissa. Nós fomos marcados por Deus pelo Espírito Santo, que não nos abandona, é o nosso advogado e nos auxilia. Isso está garantido em nossos corações. Então... por que temer? Por que se apavorar? Se não estamos desamparados e abandonados? Por que falta a coragem, a frieza, o temor?

São Paulo ainda indica que nós somos uma carta de Cristo, o qual escreveu em nossos corações. Não escrita com tinta, mas nas tábuas de carne do nosso coração. E confirma: é de Deus que vem a nossa capacidade. Só d'Ele. Somos capazes de tudo por conta do Espírito que nos dá vida. E é encontrando o Espírito que encontramos a nossa verdade, a nossa liberdade e a nossa paz. Pois inflamados e cheios do Espírito Santo, somos transfigurados na mesma imagem. Assim, levamos luz aonde há trevas; paz onde há ódio; amor onde há frieza; e vida aonde a falta. 

Que Deus não canse de interceder por todos nós e que a Sua misericórdia não cesse, pois nós, tão pequenos que somos, não sabemos o quão grande És o Teu amor.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Pois Tu És Luz...

Salvador, 20 de fevereiro de 2016.

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis, e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da Terra. Oremos, ó Deus, que instruístes o coração dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos todas as coisas, segundo o mesmo Espírito. E gozemos sempre de Suas divinas consolações, por Cristo Senhor Nosso. Amém.

Poderia ser mais uma bela noite de sábado, com a lua em sua plenitude a nos observar. Todavia, a mesma fonte de luz proporcionou algo ainda maior. Se não para todos, pelo menos para mim. E um ambiente que parecia tão estranho e incômodo, se tornou puramente meu. Invocamos a presença do Espírito Santo naquele lugar e depois de muito tempo de uma imensa frieza espiritual, consegui abrir o meu coração para poder voltar àquele primeiro amor. E bendito seja Deus, e o Seu Filho, para nos enviar o seu Espírito para não nos deixar desamparados.

De coração aberto, contrito, pude enfim voltar a sentir aquele Espírito se fazendo presente em mim, me impulsionando, levantando, invadindo e me fazendo querer mais e mais. Assim, comecei a pedir e a interceder, coisa que não fazia a meses, e entregando toda a programação daquele luau, com a certeza de que o Espírito Santo iria se fazer presente para todas aquelas pessoas presentes em prol de uma única coisa, de um único amor.

Todavia, quando achei que iria embora, começaram a rezar o terço. E nesse momento, fiquei aliviado por meus pais terem ficado mais um pouco e pela oportunidade de rezar o terço, pela necessidade que senti naquele momento. E ao fim do terço, depois de muita luz, nos erguemos com cada vela. Poderia até ser uma metáfora perfeita para o meu contexto. Enquanto ela se acendia pela primeira vez, ela se manteve acesa e brilhante. Inspiradora, até. Porém, num momento de descuido, sua luz queimou e machucou uma pétala vizinha, e seu fogo teve de ser apagado. Sem luz, parecia triste, abatida, até que ela foi reacendida e voltou a ter vida, sem mais ser apagada, sem mais descuidada, até ser transmitida a outro alguém.


Finalizado o terço, meus pais me chamaram para ir embora. Entretanto, fui surpreendido ao conversar com um rapaz que estava quase do meu lado, o qual cheguei a compartilhar da minha luz por um momento. Todavia, quem estava cheio de luz era ele. Com uma simpatia ímpar, ele simplesmente me abraçou, sorriu e perguntou meu nome, seguido da minha resposta. Posteriormente, ele disse algumas palavras que eu queria poder ter gravado e ter reproduzido por várias vezes, tamanha a veracidade e benção daquelas palavras, as quais seriam:

"Não tenha medo de se aproximar de Deus, de se manter em oração, de orar, de estar próximo d'Ele. Mesmo que achem que você é louco ou careta, não tenha vergonha. Não tenha medo."

Em seguida, eu não consegui pensar em mais nada a dizer a não ser: "É exatamente isso que eu precisava ouvir. Muito obrigado". Assim, ele fez uma breve despedida me convidando para ficar para a pregação dele, a qual não poderia ficar, infelizmente. Porém aquelas palavras me deixaram extremamente perturbado. De uma forma incômoda, beirando a urgência de querer mais daquilo. Como uma pessoa que nunca me viu na vida, mal sabia de mim e podia dizer palavras tão completas e preenchidas? Eu precisava de mais! E aquilo continuou me perturbando excessivamente. E assim, percebi a ação do Espírito Santo. Confirmando a sua presença em mim, através dele, e me fazendo enxergar além do que precisava.

Restou-me acalmar o coração e escrever para espantar um pouco a aflição. Todavia, ainda espero conversar com o pregador para poder conversar mais sobre isso e fazer com que essa luz não se apague, mas se torne ainda mais forte.

"De fato, aquele que ama a vida 
e deseja ver dias felizes 
guarde sua língua do mal 
e seus lábios de proferir mentiras;
afaste-se do mal e pratique o bem,
busque a paz e procure segui-la."

1 Pe 3, 10-11